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Caminhoneiros ameaçam greve nacional após alta do diesel

Alta do diesel aumenta pressão no setor de transporte e caminhoneiros ameaçam greve nacional. Categoria cobra fiscalização da tabela de frete e medidas para conter custos.

Crédito: Agência Senado

A possibilidade de uma greve nacional de caminhoneiros voltou a ganhar força nas últimas semanas diante da alta do diesel e da insatisfação da categoria com as medidas adotadas pelo governo federal.

Lideranças do setor afirmam que a paralisação já foi discutida em assembleias e pode ocorrer no curto prazo, com participação tanto de motoristas autônomos quanto de profissionais contratados por transportadoras.

À frente da mobilização está o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores, Wallace Landim, que afirma que o movimento deixou de ser apenas uma possibilidade.

Segundo ele, o aumento do diesel tem comprometido a viabilidade econômica da atividade.

Diesel sobe quase 19% em poucas semanas

Dados do setor indicam que o preço do diesel acumulou alta próxima de 19% desde o fim de fevereiro, influenciado pela valorização do petróleo no mercado internacional e pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.

O aumento ocorreu mesmo após o governo federal anunciar a zeragem temporária das alíquotas de PIS e Cofins e uma subvenção para reduzir o preço do combustível.

Na prática, porém, o efeito foi reduzido após a Petrobras reajustar o diesel nas refinarias em R$ 0,38 por litro no dia seguinte ao anúncio das medidas.

Para os caminhoneiros, essa combinação de decisões aumentou a sensação de imprevisibilidade no setor.

Dificuldade de repassar custos ao frete

Um dos principais problemas apontados pela categoria é a dificuldade de repassar o aumento do combustível para o valor do frete.

Segundo representantes do setor, muitas empresas contratantes pressionam por valores mais baixos, o que acaba reduzindo a margem de ganho dos motoristas.

A pauta dos caminhoneiros retoma reivindicações antigas, especialmente a aplicação efetiva da Lei nº 13.703, que instituiu a tabela de pisos mínimos para o transporte rodoviário de cargas após a greve nacional de 2018.

De acordo com lideranças da categoria, a legislação ainda não é plenamente cumprida devido à falta de fiscalização e penalização às empresas que descumprem as regras.

Reivindicações da categoria

Entre as principais demandas apresentadas pelos caminhoneiros estão:

  • cumprimento efetivo da tabela mínima de frete;
  • criação de mecanismos de controle para garantir valores mínimos nas contratações;
  • isenção de pedágio para caminhões vazios;
  • medidas estruturais para reduzir ou controlar o preço do diesel.

Representantes da categoria afirmam que a crise no setor pode ter impacto direto sobre a economia e sobre os preços ao consumidor.

Possível impacto na economia

O Brasil conta com cerca de 790 mil caminhoneiros autônomos e aproximadamente 750 mil motoristas contratados, segundo estimativas do setor.

Uma paralisação coordenada poderia afetar o transporte de cargas, o abastecimento de mercadorias e a atividade econômica, além de gerar pressão sobre a inflação.

Diante da mobilização, o governo federal intensificou o monitoramento do movimento e iniciou novas rodadas de negociação com representantes da categoria.

Estratégia inicial prevê paralisação sem bloqueios

A orientação inicial das lideranças é que os caminhoneiros, em um primeiro momento, deixem de rodar ou permaneçam parados em postos e pontos de apoio, evitando bloqueios de rodovias para reduzir o risco de multas.

Ainda assim, representantes da categoria afirmam que interdições de estradas não estão descartadas, caso as negociações não avancem.